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Brasil: colônia ideológica ou fazenda modelo dos EUA?

Enquanto a grande mídia silencia sobre a interferência externa nas nossas eleições, o fisiologismo e as manobras no Judiciário empurram o país de volta ao status de colônia

Planeta

vida sob a batuta do império
vieirajr

Garanto a você, que me lê, que estou tentando evitar “coisas não subordinadas” * a mim, mas a minha indignação supera a minha inércia quando a pauta é o comportamento da mídia “hereditária” (termo de Xico Sá), apática ao excluir da agenda nacional a interferência da maior potência bélica do planeta na nossa democracia, soberania e nas eleições do Brasil. As sanções econômicas do governo dos EUA têm o propósito direto de favorecer a candidatura bolsonarista. O mais inacreditável não é a tentativa estadunidense de violar a soberania nacional, mas sim o comportamento estilo “servidão voluntária” da mídia, que se faz de muda e cega.

Já a intervenção internacional direta nas eleições, a mando de Marco Rubio, parece um fato irrelevante ou uma questão de menor interesse para o brasileiro. O que vale é o Lulinha. Virando a página da mediocridade ética e moral da mídia “hereditária”, o caos se aproxima com a falência de credibilidade do fazer jornalístico com espírito coletivo em defesa da democracia e da soberania, independentemente da ideologia política. Mas não é o que acontece. Os Estados Unidos não negam a intervenção no Brasil e não há alarde nas páginas dos jornais, nas televisões ou nos podcasts da vida. Para os bolsonaristas e extremistas de direita, o fundamental é acabar com o PT. É inacreditável viver um momento de extrema gravidade e encontrar personagens e candidatos omissos e entreguistas.

Enquanto o candidato Lula, vencedor por direito de três eleições, defende a democracia e a soberania nacional, do outro lado há um candidato que prega a cartilha imperialista e autoritária de uma nação que jamais esteve aberta ao diálogo e ao livre-comércio. Tudo indica que não há limites para os EUA colocarem o seu “molequinho de recados” no poder. O cerco está se fechando e, para boa parte dos candidatos, da mídia e dos bolsonaristas, não há indignação ou receio de nos tornarmos colonizados. A sensação é de que a ameaça não vem de um ditador com pelagem imperialista que invade a Venezuela para roubar petróleo, mas sim daquele que age para defender a democracia. Há apenas duas décadas da redemocratização, o Brasil corre o risco de virar uma grande fazenda dos EUA; afinal, aqui tudo que se planta, colhe.

O mais incrível é que todos os candidatos da direita prometem, se vencerem, anistiar os golpistas de 8 de janeiro. Lógico, Jair Messias Bolsonaro subiria a rampa ao lado do filho, Flávio Bolsonaro, e de Cerimedo. Há três décadas, num papo de boteco nos Jardins, em São Paulo, mencionei o nome de um político da direita e fui retrucado: “Estamos falando do diabo e você vem com o capeta”. Aquilo me marcou. A direita não tem projeto de Nação, fato. Ela tem um programa familiar, ou seja, voltado para o próprio umbigo. Ela sobrevive de espetáculos, de violência no palavreado, na difusão de mentiras e de jargões não progressistas fantasmagóricos.

Flávio Bolsonaro demonstra um desconhecimento da realidade brasileira. Ele é tão inóspito — não sei se é a expressão mais adequada — que prometeu, assim que assumir a presidência, assinar um decreto declarando: “O Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo”. É pura incapacidade de governabilidade. Ele consegue ser pior que o pai. Fico imaginando-o no “cercadinho” ou em uma motociata. Só imaginando! O pior do caos é a galera da reza em pneu, do bater continência à bandeira dos EUA, da marcha soldado e das “24 horas”, que acredita fielmente que o Zero 1 não é corrupto, não mente e não tem nada a ver com o Banco Master e com as rachadinhas.

Ora, quando alguém se gaba em dizer que não conhece Vorcaro, mas se esquece de que há um Cerimedo no seu calcanhar, precisa entender que política não é playground ou parquinho. Cerimedo é criminoso e perigoso. Ele foi preso na Bolívia acusado de mandar matar a namorada grávida, fez lives com desinformação sobre a eleição brasileira em 2022 e chegou a ser indiciado pela PF. Nadia Beller, que sobreviveu ao atentado, afirmou à Folha que o argentino se encontrou com Eduardo Bolsonaro, a quem chamou de “um amigo muito querido”. Ela revelou que Cerimedo “lutaria pelo senador Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026” e que ele mantinha na Bolívia uma fazenda de “robôs”, usada para influenciar eleitores em favor de candidatos de direita.

André Mendonça na campanha

Quando comecei a escrever este artigo, André Mendonça não estava na pauta. É inacreditável que um ministro do STF entre na campanha de Flávio Bolsonaro. O que ele fez ao liberar uma parte do relatório do caso Master — expondo o ministro Alexandre de Moraes —, além de quebrar o rito, abafou, pelo menos por enquanto, as denúncias do envolvimento de Flávio Bolsonaro no caso Master. Isso ocorre mesmo com a revelação do Coaf, que identificou a transferência de US$ 1,6 milhão em 16 de setembro de 2025. Há uma clara contradição: o repasse ocorreu dias após o senador Flávio Bolsonaro cobrar valores do ex-banqueiro, o que contradiz a declaração pública do senador de que os pagamentos teriam acabado em maio de 2025.

Não satisfeito com a quebra do rito, o ministro André Mendonça, atuando no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão temporária de uma propaganda da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva que utilizava o jingle “Rap do Silva”. A justificativa foi a ausência do nome do vice, Geraldo Alckmin. Independentemente de ser uma decisão de caráter provisório — que se restringe à inserção questionada e não proíbe o uso geral do jingle ou de outras peças devidamente regularizadas —, o caso ainda deverá ser analisado pelo plenário do TSE. Portanto, até lá, a campanha de Lula fica sem o “Rap do Silva”.

6 por 1

Com o “barulho” que provocou no cenário político brasileiro — envolvendo a grande mídia, defensores do capital, do agronegócio e defensores raiz da família Bolsonaro —, André Mendonça também conseguiu colocar uma pá de cal na votação do fim da escala 6×1 antes do primeiro turno. Diante das revelações do relatório que expõe publicamente mensagens entre o ex-banqueiro e o ministro do STF, os líderes da oposição no Senado protocolaram um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes no início de setembro de 2026. Consequentemente, a votação pelo fim da escala 6 por 1 ficou para depois.

*Manual de Epicteto

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