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Estado de direito

Carta aberta aos bolsonaristas comentaristas no Face

vieirajr

Por favor, quando comentarem os meus posts, sejam inovadores e renovadores. Não aguento mais ler comentários que apenas repetem conteúdos extraídos de grupos de zap bolsonaristas, extremistas e de delatores da soberania do Brasil.

Eu, vieirajr – codinome aqui no Face –, em respeito ao homem do campo e aos povos originários, adotei o codinome matuto-tupiniquim. É inadmissível acreditar que existam brasileiros travestidos de defensores da democracia, mas que ficam de quatro para os EUA. Um país que se autodenomina democrático, mas é o que mais matou e mata no planeta Terra — o único que temos. Trump, que se considera o imperador do mundo, tem sob seu comando na América do Sul a Colômbia, a Bolívia, o Paraguai, a Argentina e o Chile, e não mede terrorismo para domesticar o Brasil. É incrível como há brasileiros que têm ejaculação precoce ao ver o “senhor do engenho” em pose para invadir o território nacional e fincar em plena Praça dos Três Poderes a bandeira da terra do Tio Sam.

Minha luta é pela democracia e em defesa dos povos originários, da população mais simples, do patrimônio público, das terras raras, das águas, do verde que te quero mais verde e do direito de dizer: “meu país é soberano”. Não me sinto confortável escrevendo para brasileiros que precisam de autocrítica ou de uma revisão histórico-geopolítica para entender que ainda somos independentes, e que há uma família que luta para se enriquecer e fazer do Brasil um Estado teocrático.

Teocracia, para quem não sabe, é um sistema de governo em que o poder político é exercido em nome de Deus ou por líderes religiosos que seguem preceitos sagrados. Prestem atenção: o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, disse em campanha que, ao assumir a Presidência, se eleito for, um de seus primeiros atos será decretar que “o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. E tem mais: disse também na Avenida Paulista que irá, a partir de janeiro do ano que vem, declarar guerra aos narcoterroristas. PCC e Comando Vermelho seriam declarados terroristas. Nas palavras dele: “Eles estarão presos ou neutralizados pela polícia. Eu vou trabalhar para reduzir a maioridade penal, cortar impostos, ter castração química de abusador de mulher, e ladrão de celular vai ficar preso no mínimo 8 anos.” Detalhe: ele não tem autonomia para fazer o que disse. É balela de um candidato atrofiado pela incapacidade de produzir ideias e de pensar no Brasil de fato. Com uma bela ajuda do “terrivelmente evangélico” ministro André Mendonça, Flávio deixou de ser o “irmãozão” do Vorcaro e se transformou no atirador-mor contra o ministro Alexandre de Moraes, bem ao estilo do “papai”.

Mas voltando aos comentários. Os bolsonaristas precisam entender que os EUA são um país triturador de ideias liberais, democráticas, republicanas e socialistas. O objetivo deles, como sempre, é manter a sua hegemonia no Hemisfério Sul, independente de qual arma usarão: degola de líderes, bombardeio de escolas ou captura de presidentes, tudo sob o propósito de “defender a democracia”, quando o objetivo real é roubar o petróleo. Quanto à China, alegam que tentou interferir em eleições, que é sua principal adversária estratégica e uma ameaça estrutural à segurança nacional e à economia americana. Porém, a China é uma das maiores detentoras de títulos da dívida pública americana, com cerca de US$ 800 bilhões.

Além do mais, o bolsonarismo e a extrema-direita alimentam-se da busca permanente pelo poder hegemônico e, para tal, propagam o ódio, o medo, a mentira e a idolatria à pátria, à família e a Deus. São formas presentes nos discursos, nas narrativas e nas mensagens monocráticas postadas em grupos de WhatsApp que, mediocramente, são repassadas como se fossem verdadeiras. A extrema-direita e o bolsonarismo não são fiéis à lição de tratar a política como uma atividade voltada ao bem-estar de uma sociedade e de sua organização como um Estado de direito.

A esquerda defende a autonomia do Estado e da sociedade civil como propulsoras do desenvolvimento econômico, político, das relações sociais, da inclusão e do fomento aos direitos humanos. A sociedade civil, segundo Bobbio*, é justamente o lugar onde “surgem e se desenvolvem os conflitos religiosos, políticos, econômicos e ideológicos”. O lamentável contraponto da extrema-direita, conjugada com o bolsonarismo, é a tentativa de derrubar o Estado de direito para colocar em seu lugar o comando de uma família enriquecida com o dinheiro público, com sintomas irreversíveis da linha pró-Trump e da teocracia – governada e/ou controlada pela igreja ou por líderes políticos com falso caratismo religioso.

Sendo assim, por favor, tenham a liberdade de comentar as minhas mensagens, mas tenham a lucidez de contrapor com ideias, e não com repetecos marcados pelo comando-mor da extrema-direita e do bolsonarismo, desleais ao princípio da verdade como fator propulsor da veracidade do fato.

Inte!

beijos do matuto-tupiniquim

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